sábado, 9 de maio de 2015
Aconselharam-me a mudar e mudei para www.conselhosparaomeuputo.com
A quem me seguiu/ ainda me segue por aqui, para ver se torno os conselhos mais regulares e efectivos, mudei-me para www.conselhosparaomeuputo.com. Obrigado.
quinta-feira, 19 de março de 2015
201. Lembra-te do teu Avô Tino
O que separa os Homens dos homens não é a
coragem mas a Honestidade, Humildade e Honra, algo que o teu avô Tino me
ensinou sem dizer uma palavra. Era o herói dos heróis. As primeiras recordações
que tenho dele era de um Super Homem porque parecia indestrutível (levou com um tijolo na cabeça um dia numa
obra e apesar do corte severo, foi a casa colocar álcool e voltou para o
trabalho como se nada fosse. Anos mais tarde estava a fazer um telheiro à tua
Tia Rute e vi-o voar literalmente para cima de uma mesa, partir a pedra da
mesma, ficar com os dedos dobrados para trás, empurrá-los para a frente e
prosseguir como se nada fosse; cortava pedra numa nuvem de pó irrespirável e
saía a rir-se, ou envernizava um sótão com 30 e tal graus como quem bebe uma
cerveja).
De Super Homem passou a ser o meu Manny
Mãozinhas porque o vi construir prédios como tu hoje fazes legos, ensinando-me como
fazer massa ou uma parede direita com o fio-de-prumo. Vi-o pregar pregos com
duas marteladas, levantar nove tijolos burro com um braço, pegar em vigas que
só eu e o tio Pedro na flor na idade conseguíamos pegar os dois juntos. Foi o
primeiro trabalho que desejei fazer, agarrado ao sem número de ferramentas que
ele nos punha nas mãos.
Com os colegas Horácio, Faísca, José Augusto e
outros era o Jake e os Piratas para mim e para o tio Pedro, que conseguiam
fazer nascer casas para os outros e no fim comer uma feijoada feita pelo avô (e
ai de quem falasse de trabalho ao almoço e fosse mais que os outros, era garrafão
pago na certa). Não fazes ideia do quanto gostava de ir no dia 31 de Julho
apanhar o comboio de madrugada a ver as luzes dos barcos para estar com eles
antes do mês de férias de Agosto.
Em casa era o nosso Hulk, pois tudo o que
tinha problemas em funcionar um murro ou uma martelada arranjava sempre (perdi
conta às vezes que vi os óculos voar só porque se embaciavam quando estava a
fazer algo importante). Era a televisão, os móveis, ou eram os carros (nunca
mais esqueço um dia vir a acelerar o seu mítico Morris Marina, que levava dez
pessoas e cinco sacas de batata, com um cordel preso ao acelerador).
Era também o Sebastião Come Tudo, não porque
fosse de comer muito mas porque tinha o que chamava de “filosofia de guerra”,
isto é, tudo o que viesse, morria. Podias-lhe dar cinco vezes o mesmo prato de
seguida que nunca se queixava (“só não como beringelas e em casa, que fora se
me as derem como”). Tinha ainda uma tirada de inspetor Gadget, pois era comum
ter no carro tudo e mais um par de botas (papel higiénico nunca faltava), na
arrecadação peças para arranjar o mundo todo e no corpo um esquema certo para
caso fosse tomado por três ou quatro assaltantes (“um ou dois, o primeiro murro
é meu”).
Não foram poucas as vezes que ao lado dele me
senti acompanhar o Zorro, pois não podia com injustiças (como certa vez quando
pessoas com alguma idade queriam entrar no comboio e uns pintas não deixaram,
até ele meter as mãos nas portas e dizer que agora mandava ele; ou quando o
comissário da polícia teimava em parar carros à sua porta e dos vizinhos só
porque sim e ele lhe disse que lhe chegava a roupa ao pelo, ou da última vez
que fomos à Feira da Ladra no outono e uns mafiosos levavam as portas do
comboio abertas e ele disse enquanto lia o comboio “está calor como o caraças
para os c****** estarem com frio nos c*****!”).
O trabalho tomava-lhe a semana e o
fim-de-semana para termos todos uma vida melhor mas tinha ainda tempo para ser
o Yoda de muitos, ao ser pastor da Igreja Evangélica. Não te sei dizer as vezes
que o vi acalmar drogados, malucos e afins que queriam destabilizar a “missa”
enquanto ele pregava para os seus irmãos. Leu a bíblia católica e a protestante
duas vezes e ainda olhou seriamente para a dos Testemunhas de Jeová. Era
exigente como o professor Xavier, no sentido de dar sempre o melhor e procurar
sempre fazer melhor do que os que precederam “para o nosso bem, porque o balde
de massa estaria sempre garantido”. Não me lembro de faltar a um dia de
trabalho ou de ficar em casa doente mas lembro-me de acordar às 5h e picos da
manhã todos os dias, de raramente se queixar do trabalho, dos colegas ou da
situação do país. Sabes, saiu de casa com oito anos e o primeiro ordenado foram
umas botas para pôr nos pés.
Demorei alguns anos a percebê-lo mas quando o
percebi passou a ser o meu Chefe, o meu Panoramix, aquele que bastava um olhar
ou um sorriso para perceber que ia sair das boas (“agora para mim era bom era
uma moça de 20 anos. Para quê? Dizia toda a gente. O que é que você fazia com
ela? Respondia: fazia o mesmo que quando era novo…o que podia”).
Recordo, como se fosse ontem, a felicidade que
foi ver-me casar com a tua mãe ou quando fui batizado com 32 anos. Era um
brilhozinho nos olhos e um sorriso que só me lembra o meu ídolo da juventude
Charles Bronson. Era o mesmo brilho que o acompanhava quando vinha cá a Vila
Franca em tempo de largadas e comia um bacalhau à Portimonense.
Era um grande contador de histórias, mesmo que
ouvisses a mesma história mil vezes do colega na tropa que bêbado disparou tiros
no quartel de Santa Margarida e meteu mais de 20 mil homens em sentido com medo
da guerra ou do muro do vizinho que deitou abaixo com o padrinho quando outros
ameaçavam fazê-lo e que deu guerra na terra (pensavas que ele era 100% santo? Também
fez das dele, algumas que te contarei mais tarde).
Infelizmente já o conheceste limitado numa
cama e sem capacidade para te poder mostrar o tanto de super-herói que tinha. Pudesse
eu colocar neste texto tudo o que ele era. Posso-te pedir uma última forma de o
recordar: como o Lucky Luke montado no seu Jolly Jumper (no caso dele, no
mítico Morris Marina) com o Rantanplan (o nosso amado Putchi) ao seu lado rumo
ao pôr-do-sol.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
200. Não escolhas RP como profissão
Os relações públicas são como os
trapezistas, a linha que os separa de bestiais a bestas é sempre muito ténue. São uma das profissões mais stressantes dos últimos anos e que toda a gente diz que consegue
fazer, que não são necessários grandes conhecimentos, que são muitas vezes um
centro de custos, que não geram vendas, que...mais um chorrilho de coisas em
que ser associado ao tipo que está à porta da discoteca e conhece meio-mundo ou
o tipo que serve croquetes na festa até parece ser do mais positivo da
profissão. A apostar em carreira é em funções prescritivas, isto é, funções em
que o que dizes é lei e é aceitável que tenhas um ordenado acima da média
porque é preciso "realmente estudar”. Profissões como médico, controlador
aéreo, advogado, financeiro, nas quais o discurso hermético e a
"utilidade" existe mesmo e são especialistas por áreas.
Depois destas linhas todas deves estar
a questionar porque raio então escolheste tu, pai ser RP? Primeiro porque
percebi muito cedo que adequar a mensagem aos diferentes públicos salva muito
gente de problemas. Na escola evitei apanhar porrada e ser roubado, eu e outros
miúdos igualmente pequenos e timídos, ao tornar-me amigo dos bullies; ao tentar
perceber a sua perspetiva de fazer um corredor para nos dar pontapés e calduços
à saída do pavilhão ou querer "aliviar-nos" do almoço ou do dinheiro
da carteira. Depois, todos os dias tens desafios diferentes, tanto pode ser uma
crise como lançar um novo produto, como ter que comunicar algo a uma equipa
inteira, contribuir para criar uma marca de raiz, entre tantos outros. Desafios
em que tens por vezes segundos para tomar decisões críticas à la piloto de
fórmula 1, em que uma palavra mal dita pode ter consequências muito negativas.
No entanto, se no piloto és a estrela, nas RP, as estrelas devem ser os outros.
E isso também é algo que adoro no trabalho que faço, de fazer brilhar pessoas e ideias que de outra forma não seriam conhecidas.
Mais, regra geral tens sempre budgets reduzidos ou "no budgets" mas
tens que fazer acontecer e no mais curto espaço de tempo, imagina a adrenalina
que não é! Tens que provar constantemente que vale a pena investir no teu
trabalho, que é um trabalho que também é, atenção 1, especializado, que também
requer, atenção 2, formação, que também necessita, atenção 3, talento. Conheces
seres humanos fantásticos, que estão sempre disponíveis para fazer mais e
melhor, mesmo recebendo pouco. Permite-te perceber o máximo da profissão dos
outros e procurar com ela interagir da melhor forma, por mais hermética que
seja. Permite-te colocar no papel dos outros para perceber a sua perspetivas
das coisas por mais "twisted" que elas sejam. Não faz do teu pai a
pessoa mais rica de dinheiro mas rica de relações, rica de felicidade no que
faz e sobretudo rica por poder contar histórias diferentes todos os dias que
ficariam por contar muitas vezes.
PS: 14 anos depois a tua avó
"Guta" continua sem saber muito bem o que é que o filho dela, senhor
teu pai faz, mas amo-a e agradeço-lhe tanto mais por isso, porque me ajudou
vezes sem conta com o "efeito da minha mãe", isto é, a perceber que se o que a marca A ou B lhe diz ela não entende,
a maior das pessoas não entenderá também. Mais, foi o espírito falador e de enorme
coração em ajudar os outros que contribuiu grandemente para eu escolher ser RP
(isso e poder vir a ser o tipo à porta da discoteca que decidia quem entrava na
mesma e todas as miúdas giras o queriam conhecer).
(A diferença que um trabalho "menor" pode fazer)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
199. Rodeia-te de pessoas positivas
As pessoas positivas são como as uvas, mesmo com o passar do tempo não se estragam e mantém aquelas qualidades distintivas. O facto de te rodeares de pessoas positivas faz de ti uma pessoa mais ambiciosa e crente das tuas capacidades e ao mesmo tempo torna os teus dias mais animados e ricos. Cultural e até diria geneticamente os Portugueses são o povo do "mais ou menos" ou do "vai-se andando" pelo que te alerto desde já para não seres demasiadamente positivo junto dos outros Portugueses porque te podem conotar de três ou quatro "defeitos" como seres parvo, florzinha ou qualquer outra estupidez absurda de quem não consegue ser feliz. Mais, não tenhas vergonha ou problemas de deixar de estar com aquelas pessoas negativas presentes na tua vida, excepção feita do teu pai, da tua mãe ou do teu...chefe. Negativo é teres uma doença incurável que te vai matar num espaço determinado de tempo sem teres vivido os sentimentos diferentes que a vida tem para te oferecer. Tudo o resto é ultrapassável nesta vida, até o teu...pai (pergunta à tua mãe).
(Procura a felicidade mas não exaustivamente que ela está sempre em ti, basta olhares para o céu, para os olhos da tua mãe ou para o carro do papá)
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
198. Aprende a encher copos à taberneiro
Encher copos à taberneiro é uma arte tão ancestral quanto fazer xixi sem sujar a tampa da sanita. Se nesta segunda é fácil de resolver, basta...sentares-te (excepto se for um urinol, que não dá muito jeito, apesar de haver vídeos na net que provam que é possível), a primeira requer muita prática. Podes começar por praticar com o Compal de alperce que tanto gostamos e passar para bebidas mais fortes, tipo leite Vigor ou um potente Galão Alentejano. Quanto mais praticares mais fácil vai ser deixar o copo "resvés Campo de Ourique". Vais também perceber que um copo à taberneiro é como a vida, nem com espaço vazio
nem a transbordar, tem que ser mesmo à tangente. Esse equilíbrio perfeito entre família, amigos, conhecidos e desconhecidos, pessoal e profissional, problemas e soluções torna-se mais fácil também com a prática.
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